A Meca e a Kabbalah

A porção da Torá conhecida como Vayera conta um famoso acontecimento na história quando Abraão amarra seu filho Isaac em um tentativa de sacrifício. Há aqui uma conexão sutil com o mundo islâmico, bem nessa leitura específica da Torá.

Primeiro, de acordo com a Kabbalah, a história se trata na verdade de como devemos aprender a amarrar e sacrificar o nosso próprio ego para conseguirmos servir melhor o nosso semelhante por meio do desejo da nossa alma. Abraão representa a bondade da nossa ama. Isaac é um código para o nosso ego, o auto-interesse que devemos amarrar e matar para que possamos amar ao próximo incondicionalmente.

Vamos analisar agora o mundo islâmico, onde encontramos uma semelhança curiosa com o caminho da Kabbalah.

Na Cidade Sagrada de Meca, encontramos um dos santuários mais sagrados do Islamismo.

Chama-se a Ka’ba.

Milhares de Muçulmanos andam em volta dela todos os dias e um bilhão de muçulmanos se viram para ela durante suas preces 5 vezes ao dia.

A Ka’ba é um cubo preto.

O tefilin (filactérios) usado todo dia pelos Filhos de Israel é também um cubo preto.

A Kabbalah explica que amarramos o tefilin em torno de nosso braço esquerdo sete vezesem sentido anti-horário, para amarrar e enfraquecer o nosso desejo negativo e o nosso ego.

O Zohar explica que este é o segredo de Abraão ter amarrado seu filho Isaac. É esperado de cada um de nós que sacrifiquemos o nosso ego para o bem de compartilhar com os outros. O tefilin age como uma antena que atrai uma poderosa força espiritual que nega e sacrifica a influência de nossa natureza egoísta. 99% dos judeus não tem a menor ideia que é por esse motivo que amarramos o tefilin no nosso braço esquerdo. Usamos o braço esquerdo porque o esquerdo tem a conotação do nosso ego e do negativo (Isaac) e o direito se refere a alma e ao positivo (Abraão).

A cada ano, os muçulmanos vão em peregrinação (Hajj) para caminhar ao redor da Ka’ba em Meca, no sentido anti-horário, sete vezes. É exatamente dessa forma que envolvemos e amarramos nossos tefilin – sentido anti-horário, sete vezes.

O propósito do Hajj para os Muçulmanos é conectar-se ao mesmo evento de Abraão amarrando Issac (os Muçulmanos relacionam isso a Abraão amarrando seu filho Ismael).

A conexão é profunda. Somente a Kabbalah explica o verdadeiro propósito espiritual.

Talvez seja este o porquê da Ka’ba, em Meca, ser conhecida como a Casa de AllahKa’ba e Allah, como se sabe, soletra Kaballah.

Este segredo extraordinário sobre a semelhança entre Hajj, Tefilin e da Ka’ba estava bem na nossa frente o tempo todo!

Outro ponto interessante é que os asquenazitas começaram amarrando o tefilin no sentido horário – em vez de sentido anti-horário – então a conexão entre Ka’ba e Tefilin não era tão evidente.

Apenas os sefarditas (as pessoas que sempre abraçaram o Zohar e a Kabbalah) continuaram a técnica de enrolar as tiras no sentido anti-horário. Esta conexão kabalística é uma das razões pelas quais sefarditas foram protegidos pelos Muçulmanos ao longo da história, especialmente em Marrocos durante o Holocausto.

Qualquer um é considerado um sefardita no momento em que que abraça o Zohar e o caminho da Kabbalah.

Essa proteção pertence a todos.

Billy Phillips

Billy Phillips é aluno do Rav e da Karen Berg desde 1989. As opiniões expressadas aqui têm como base seu próprio aprendizado e 22 anos estudando a sabedoria da Kabbalah. Apesar de ser aluno do Kabbalah Centre, as visões e artigos que apresenta aqui se relacionam com sua experiência e refletem sua visão pessoal e não são uma representação oficial do Kabbalah Centre e de seus ensinamentos.

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4 Responses

  1. Ottway diz:

    É mas só tem um detalhe: Ka’aba em hebraico é הכעבה e não tem a letra Quf (ק) de QABALAH e Allah é אלה é tem um Alef (א) e juntando os dois הכעבהאלה não se torna QABALAH. O autor do artigo mostra não conhecer hebraico (עברית) ou se conhece manipulou a verdade para, como é de costume, puxar “sardinha” para o Kabbalah Centre. Que outra explicação poderia haver?

    • Billy Phillips diz:

      Agradeço por seu comentário. E aprecio o fato de você ter se dado o tempo de compartilhar os seus pontos de vista.

      Em resposta, eu gostaria de salientar que não soletramos קבלה dessa forma: QABALAH, soletramos קבלה dessa forma: Kabbalah.
      E da mesma forma que a única soletração autêntica de כעבה é الكعبة se assim você for capaz de ler.

      Quando você translitera para qualquer língua, pode haver várias versões que desejar, como se tem כעבה que é soletrado Kaaba em inglês, e Caaba e ambos estão corretos.

      A soletração da maioria das palavras modernas em hebraico foram inventadas/criadas há 120 anos, enquanto que os conceitos de que estamos falando tem 1400 anos, então não sabemos qual era a soletração correta da palavra כעבה em hebraico 1400 anos atrás! Há um debate na Academia da Língua Hebraica se a soletração correta de الكعبة é כעבה ou קעבה.

      Mesmo assim, os princípios espirituais de que estamos falando são muito mais profundos do que soletrações erradas. O mundo foi criado através do poder do som e das palavras do Divino e o som das vibrações de Ka’aba & כעבה & קעבה
      são exatamente as mesmas.

      E mais, a reza do meio dia no Islamismo, quando o sol está brilhando mais forte, chama-se ZOHAR, exatamente a mesma palavra que designa o livro mais Sagrado da Kabbalah, o Zohar. Mais uma vez, a mesma palavra,o mesmo som, a mesma vibração, o que significa a mesma essência espiritual e energia Divina.

      Espero que isso tenha esclarecido sua dúvida.

      Desejo a você muitos milagres e maravilhosos sons e vibrações e raios de Luz em sua vida.

      Billy

      • OTTWAY diz:

        Bem, se é assim, se apenas o som importa e não a forma da letra, então vamos pegar o “Livro da Formação (Sefer Yetzirah)” e jogá-lo fora, pois ao fazer isto, estamos certamente desprezando seus ensinamentos. Já que a forma não importa, então ao invés de מקובלים (Qabalistas) vamos escrever מכובלים com a letra Caf e não com Quf. Já que não importa a forma, mas escrever הארי (O Leão) que é o título do grande Rabi Isaac Lúria הערי com a letra Ayin (ע) ao invés de Alef (א). E não importa que a grafia de QABALAH usada pelo Centro seja Kabbalah, pois a palavra não tem letras duplas, como dois Beit (ב) e não se inicia com Kaf (כ) nem em inglês e nem em português.

        Antes de escrever meu comentário, procurei no Google a grafia correta para Ka’aba e não achei nenhuma transliterada para o hebraico com a letra Quf (ק) e mesmo o tradutor do google que é o melhor na atualidade quando traduz Ka’aba para o hebraico o faz הכעבה e não הקעבה, ademais o senhor não disse o que fez com a letra Alef (א)de אלה (Allah) que é um Nome Divino que aparece em Isaías 40:26.

        Mudemos tudo então, já que apenas o som importa e a forma da letra não já que ao transliterar eu posso, como o senhor citou, imprimir a “minha versão” e não a forma correta. Obrigado pela resposta.

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