O ENTERRO DO KABALISTA RAV BERG

quarta, 18/9/2013

Que dia! Absolutamente surreal. Eu estava convencido, por diversos momentos, que eu acordaria de um sonho ruim a qualquer minuto. Eu nunca vivenciei algo tão transcendental; tão físico e tão cru na dor; tão espiritual e absolutamente bíblico em seu significado para as nossas almas e para este mundo (e eu não estou dizendo “bíblico” no sentido metafórico da palavra). O efeito que surtiu sobre cada um de nós de pé, sob um sol escaldante, vivenciando o impensável, era indescritível e, no entanto, provavelmente único para cada pessoa.

O ar nos arredores do túmulo do Rav exalava uma fragrância que eu acho que deve ser do Jardim do Éden. Achei aquele ar inebriante e ficava perguntando para os meus dois filhos se eles podiam sentir aquele cheiro.

Tudo começou para mim na quinta-feira, antes de Yom Kippur. Eu visitei o Rav no hospital. O Rav estremecia de dor e enrijecia todo o seu corpo, gemendo e se contorcendo em uma batalha que está além do poder das palavras. O Rav estava delirando e realmente não me notou. Depois de algum tempo, chegou minha hora de ir embora. Eu me despedi do Rav e o Rav parou de estremecer e de se contorcer de dor, e de repente ficou em estado alerta. Ele parou, olhou para mim, feliz, e me deu aquele sorriso que é a marca do Rav, com um conhecido brilho nos olhos. Literalmente!

Então, o Rav voltou para a batalha.

Essa foi a última vez que eu vi o Rav neste mundo físico.

Eu tive o mérito de ver o Rav no quarto do hospital, depois que o Rav deixou nosso mundo. O Rav estava brilhando e deitado em paz com a família ao seu lado. Ficou claro para mim que a Karen não era apenas a matriarca do nosso mundo, assim como Rachel, mas Karen também era nossa Rainha Esther, Sarah e todas as grandes carruagens femininas da Bíblia. Mas nenhuma delas é tão grande quanto a Karen, pois cada uma delas é uma parte de Karen.

Enquanto o Rav era sepultado, os gritos de Michael e Yehuda sacudiram as montanhas da Galiléia e cortaram a todos.

Deixando Safed, eu estava ainda entorpecido e confuso, mas tranquilo, com uma certeza no meu coração que arde mais forte do que 400 milhões de sóis. Eu tive muitas conversas com o Rav nos últimos 25 anos, e apenas uma das quais eu vou compartilhar agora.

Há 15 anos atrás, o Rav me disse que ele estava com medo de dizer a Karen o que seria necessário para trazer o fim da dor, do sofrimento e da morte. Agora eu sei o porquê.

A outra razão para minha certeza foram o choro e as súplicas dos dois santificados e amados filhos do Rav e da Karen, Yehuda e Michael.

Eles deixaram bem claro, suplicaram e exigiram do mais profundo da alma humana, para que o seu pai continue a nos ajudar a concluir isto de uma vez por todas.

Iremos ver os resultados de suas orações ainda neste tempo, em nossas vidas.

Porque se há um portão para o céu, os choros penetrantes de Yehuda e Michael acabaram de abrir esse portão como nunca antes na história humana.

E assim, este não é o fim.

Este é o início.

Billy Phillips

Billy Phillips

Billy Phillips é aluno do Rav e da Karen Berg desde 1989. As opiniões expressadas aqui têm como base seu próprio aprendizado e 22 anos estudando a sabedoria da Kabbalah. Apesar de ser aluno do Kabbalah Centre, as visões e artigos que apresenta aqui se relacionam com sua experiência e refletem sua visão pessoal e não são uma representação oficial do Kabbalah Centre e de seus ensinamentos.

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3 Responses

  1. jane diz:

    O Rav levou com ele a dor do mundo. Novos tempos virao. Que a humanidade aproveite este momento, para que o sofrimento que o rav absorveu, por amor a humanidade, nao seja em vao.

  2. Telma diz:

    Esta dor é inconsolável, somente o tempo nos dá lucidez para lidar com ela. Ele nos ajuda agora no mundo espiritual!

  3. Sueli Angarita diz:

    Sábias e espiritualizadas palavras! Nada mais a dizer. Apenas, sentir.

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